terça-feira, junho 20, 2006

Ponto Final

Visto lentamente o véu
Retiro suas mãos do meu quadril
Arranco seu gosto do meu corpo
Apago as marcas dos seus dentes

Bastarda do seu amor
Eu me basto em mim

domingo, junho 18, 2006

despedidas

Eu só queria saber dizer
Que minha alma é tua casa
Que meu corpo é teu abrigo
Que o tempo é relativo
Que não é sozinho
Que só é comigo

segunda-feira, junho 12, 2006

ponto G

garoto
cheiro teu gosto
gosto
esgueira-se gato
galego
fazemos a guerra
gandaia
ganhamos os dois
gozo

sábado, maio 20, 2006

Tudo em você é blues
exceto seu coração vermelho

segunda-feira, abril 17, 2006

É esse gosto de noite que eu espero
Esse silêncio
Cala a palavra proibida
Palavra alguma
Mudo tudo

No furto há o fruto que desejo
Unhas tocando o corpo-violão
Rasgam em coro a madrugada

sábado, abril 15, 2006

Na certeza de meus versos
a surpresa de descobrir
sob a espuma negra
os olhos abismados
de todas as dúvidas aladas

(pro meu querido amigo arcanjo...)

sexta-feira, março 24, 2006

Funilaria

noite adentro
e no pranto
o espanto
de sol que ainda raia
na madrugada escura

quinta-feira, março 23, 2006

II

Faz escuro
Chove prateado sobre o abismo
A lua não teme a noite
Em surdos movimentos a penetra
A noite desfruta o mistério
E a devora
Corpos já mortos se (re)velam
Consomem-se luz e sombra
Até se tornarem alvorada

I

Lucidamente suicida
Me afogarei no moreno dos seus cabelos
Em suas espirais, serei eu e serei mais
E quando teus olhos descansarem em meu corpo
Gozaremos juntos esse deja vu de eternidade

sexta-feira, dezembro 16, 2005

o que eu faço
pra arrancá-lo de mim
qual erva-daninha
se insiste em florescer
e se fazer jardim?

agora me diz
como se esquece a primavera?

sábado, outubro 22, 2005

Poema de namorada

a gata misteriante
escorrega sublime
pela basculante
ronrona-se

plenamente
Morgana
dor-me

domingo, outubro 16, 2005

Poeminhas de domingo de chuva

I.

Minha roda é movida pelas paixões
Das mais rasteiras às mais nobres
Se é que existe majestade na perdição
Tudo é intenso e insensato
Extremo somente para ser extremo
O desejo me leva para onde quer
Ele é meu homem

II.
Eu gosto de estar assim
Te ti contigo
Porque tua presença
Me alenta, me conforma e me comove
Dias completamente blues

quarta-feira, outubro 12, 2005


desejo de domingos de sol
de tarde azul e noite chovendo-te
desejo de ronronares e café quente
desejo de abraço manso da gente
de mel no olho e sorriso silente
somente

sábado, outubro 08, 2005

Depois do fim, acumulam-se
os estilhaços e visitam-se
as moradas do costume.
Acendem-se cigarros, em jeito
de desporto, e talvez tudo
isto seja ainda a morte.

Não se contam estórias,
improváveis estórias, sobre
a noite que saqueia os corpos,
restituindo-os à memória
do nada. Empilham-se os dias,
com um terror leve e brando,
com a certeza de que não
voltarão, paciência.

A voz de ninguém há-de atenuar
esse grito - gestos de fuga
e riso que por descuido apenas
deixamos que existam. Encostados
nulos à parede dos minutos,
à espera de quem prometeu não vir
(com que rosto inábil, venha o diabo
e diga). Não vale a pena o esforço,
a inspiração da mágoa sob
os pulmões desatentos:

depois do fim é ainda o princípio.

(Manuel de Freitas)

quinta-feira, outubro 06, 2005

Os teus olhos

E quando você me envolver
nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol

(Chico Buarque, "Lígia")

terça-feira, outubro 04, 2005

Música fala

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

(Trecho de "o meu amor", de Chico Buarque de Hollanda)

domingo, outubro 02, 2005

Ele fala com poesia
e todo prosa
chega, mansamente,
dono do espaço
Eu, que sou lua cheia,
deixo a noite tomar conta de mim

sábado, outubro 01, 2005

A minha queridíssima amiga Tânia me deu esse poema há alguns anos atrás... Ele sempre volta.


Não deixe portas entreabertas
Escancare-as
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez.

(Flora Figueiredo)

quinta-feira, setembro 29, 2005

Sobre as mlulheres

Navegando pelo site do Releituras (http://www.releituras.com), que eu adoro (!), não resisti a copiar alguma frases coletadas pelo Ruy Castro, ditas por mulheres:

Descasque um amante e descobrirá um inimigo. (Dorothy Parker, poetisa e escritora americana)

Os esquimós têm 52 palavras para designar neve porque ela é muito importante para eles; deveria haver outras tantas para o amor. (Margaret Atwood, escritora canadense)

Sex appeal é 50% o que você tem e 50% o que as pessoas pensam que você tem. (Sophia Loren, atriz italiana)

Cueca de homem, agora, só na cadeira. No armário, nunca mais. (Sonia Azevedo, jornalista brasileira)

Todos os cafajestes que conheci na minha vida eram uns anjos de pessoas. (Leila Diniz, atriz brasileira)

Cantada

Só sei cantá-lo com poesia
Palavra cheia
Pura luxúria

Arrumei a casa
Preparei a cama
Agradinhos pra depois do amor

E o violão, coitado,
continuou mudo em seu canto