sábado, março 09, 2013

como cartas que deveriam ser esquecidas
amassados foram os sonhos nas linhas das mãos
sob as tintas vivas da paredes
cochicharam sua sede, uma rosa vermelha, arroz
promessas de mãos dadas em ruas de um país não muito distante

basium ad infinitum
o tempo pode ser cura ou veneno
xícara de chá na madrugada
o silêncio das pequenas solidões tocava na vitrola
pra fazer passar as horas
pra fazer passar a dor

risco

domingo, março 03, 2013

então as palavras romperam a casa como aves libertas
e revelaram os corpos nus
nem era noite
cuspiram sobre as lágrimas contidas
rasgaram verdades natimortas

amor alça voo sem pena
explode em silêncios gordos
descola camadas de vidas inteiras
desenha nas paredes aranha, corujas e gatos

é tempo
(e eu sou tua)

segunda-feira, dezembro 31, 2012


que tengas manos largas para tomar los caminos
que tengas ojos tontos de mirar la memoria
que tengas palabras bañadas por las montañas
que seas montaña
que puedas acordarte de creer como moverlas
que seas los pies del otro
que seas la historia del otro
que seas también dignidad

y que traiga suerte la risa que guardé en tu oído,
la fuerza que puse en este abrazo

y  que tengas dudas para que jamás te escape tu verdad



quinta-feira, dezembro 27, 2012

fui parida para os dias frios
gestos dramáticos em notas de bolero
um vinho bom
vermelha é também a ideia
como o teu sangue 
fervendo palavras na minha boca

quarta-feira, novembro 28, 2012

sou só descaso
gosto de longos silêncios
música me enternece
beijo porque é bom
coleciono abismos
de mim é que tenho medo

quero os copos quebrados
algumas madrugadas
o braço sobre o corpo cansado
mansidão

sem laço que prenda a palavra
sem caixa que cale a canção

segunda-feira, novembro 19, 2012

por anos
perdi-me no ruído dos meus passos
na curva do meu umbigo
roía as unhas todas
enquanto ruíam os castelos
e as cartas que nunca mandei
das quais nunca li as respostas

então tuas mãos
e os olhos perderam a razão

noite é tudo
no sobre há sempre estrelas


domingo, novembro 18, 2012



naquela caixa eu guardei o tempo
um guardanapo amarrotado
algumas dores
a imagem de santa
meu sertão
todos os outros
passos

sem espaço para o contrário
lotei de luto as certezas
silêncio para respirar

tonta de engano
escrevo o teu nome
(palavrabraço)

poesia é só memória





sábado, novembro 17, 2012

não tenho medo dos teus olhos pueris
nem do teu corpo lasso
não tenho medo da falta

fujo é das janelas que abres
sol que se estilhaça minha nudez





domingo, novembro 11, 2012

o corpo pede mais sede
porque a vontade é rouca
como último gemido
o corpo entoa rituais
evoca palavras em fúria
germina silêncios ancestrais
o corpo é instrumento
é página
o corpo é memória
e tem fome
respira
desprende-se blues
o corpo é caos
cúmplice diante do secreto
abre os olhos e se faz cristal
o corpo é espelho
é esfinge
é dois
é bom




domingo, outubro 07, 2012

Destranquei o bolero
e as palavras furiosas
libertei o corpo e a sede
dancei porque ainda havia ar

Anoiteci

Serenidade é saber que todo dia é fim


sábado, setembro 08, 2012

Ando tão cansada de mim (imimi) que sou capaz até de ser prosa.

sexta-feira, setembro 07, 2012

tentei te esquecer
escrevi sobre os objetos da casa
mas ainda havia o teu cigarro no cinzeiro
os pelos do teu peito no chão do chuveiro
olhei pro sol e ele tinha o gosto do teu suor
o sabiá insistia em te despertar na árvore em frente
(era a cotovia?)
o risco no bloco de anotações
as pedras da calçada da minha rua
a garrafa, o mapa, a canção
em tudo havia tua mão gentil

Descobri então a retroescavadeira
indolor em sua força
insensível à minha dor clichê
delicada garra febril
deliciosa máquina
cavou em minha poesia o vazio
e te arrancou do meu peito fértil


sábado, agosto 25, 2012

Enquanto você não vem
eu arrumo os caminhos
desenho flores nas paredes da casa vazia
e beijo-as
guardo as palavras insensatas nas caixas verdes
Não derramo lágrima
(que já chove sobre a árvore da frente)
Não sofro a falta

espera é uma madrugada quente em agosto

segunda-feira, agosto 20, 2012


eu te direi não
construirei edifício sólido
onde viverei longe dos teu lábios
do teu cheiro de palavra e mar
do teu gosto de abismo

Homem
eu direi não aos teus olhos tristes
ao teu canto de ordem
aos pássaros dos teus cabelos negros
e serei forte ao teu abraço

eu digo não
nem medo mais tenho

quarta-feira, agosto 15, 2012


beijo teus caminhos com ares de senhorita
serpenteio os cabelos de ideias roucas
bebo tua boca porque tenho sede
(dentro é deserto)
te canto histórias de morrer insônia
e me fazes a mulher dos abraços
e te fazes cego
enquanto tudo é engano

Amor sem medo é altura





segunda-feira, agosto 13, 2012

nem teus olhos febris
a pedra no meio da estrada
os ais de um gozo farto
a tua pele salgada
as pequenas promessas
um canto de madrugada
as minhas pernas abertas
a porta escancarada
estas palavras
aquela que foi calada


eu tenho as cicatrizes
de todas as putas guardadas
eu tenho a chave da caixa
há muito tempo trancada
eu sangro a veia que pulsa
escrevo a tua chaga
eu amo teu corpo cansado
eu beijo a tua boca molhada
porque eu não valho nada


quinta-feira, agosto 09, 2012

Do estômago brotaram as palavras de todas as cores
trancadas a chave e arrependimentos

O que ela sabia é que tinha pouco
as cartas de Frida
um beijo ébrio numa tarde qualquer
um resto de ar

Abriu a mala onde guardava as verdades
lá dentro escondeu o Amor





terça-feira, agosto 07, 2012

Olhava para o relógio desmontado cuidadosamente
as  engrenagens como peças de quebra-cabeça
molas adormecidas abraçadas aos ponteiros
Nada, ali, corria implacável
gritando que já era tarde

Era a primeira vez que não entendia
que os olhos é que guardavam o tempo
perdido 

Que nunca é hora, menina
e sempre é



quarta-feira, julho 25, 2012

Se eu pudesse te guardava aqui
te dava refúgio enquanto te fazia meu suor
(re)velava tua respiração de homem tonto de vida e dor
te enchia de amanheceres
escrevia amor no teu corpo
mas só o que me resta é esta pintura
e esta voz
cortando com boleros a felicidade


segunda-feira, julho 23, 2012

Era pra eu ter ficado quieta
Era pra eu ter ficado lúcida
Era pra eu ter ficado todas as outras

Acontece que só o que me ensinaram foi a prender botões
a bordar em cruz e cores
a fingir que as mãos sob as coxas cobertas bastariam pra me fazer mais doce
(e eu nem acredito em pernas cruzadas)

Era pra eu ter ficado dia
mas havia a tua boca a profanar as minhas escrituras