segunda-feira, novembro 23, 2009

pra me perder no redemoinho do teu peito
nem um gesto
basta a noite
a riscar raios em hálito de café

sexta-feira, agosto 14, 2009

Parto

E se também a esperança saísse de dentro dela?

terça-feira, julho 21, 2009

Tempo

Com ele é sempre bom envelhecer.

segunda-feira, julho 13, 2009

Aniversário

O presente é um sonho.

domingo, julho 12, 2009

Amor

Entrou como quem volta para casa.

terça-feira, junho 16, 2009

Presente

Alice trouxe o coelho e todo o tempo perdido.

segunda-feira, maio 25, 2009

caço nas páginas daquele livro antigo
como dizer que eu te amo quando não digo
ignoro o risco da palavra-títere
e traço ainda no espelho o caminho
Esquerdo

terça-feira, maio 12, 2009

então me vem você
palavra já velha na minha saliva
riso ancestral
sai você de dentro
(sempre esteve?)
peito e sapatos cansados
os livros dentro da valise
risca de novo a história

você boreal
cor alterada na retina
amanhece com boca de café
a noite escura
esclarece o mistério da caixa

escurece
(a chave está no lugar)

você vem.

*
*
*

(e se calo é por não precisar saber)

sexta-feira, maio 08, 2009

Ele tocou seu sexo como quem salva um animal, ferido e frágil.

(pássaro delicado esquecido de voar.)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

O sentido da vida

Acho que toda a minha imaginação empenhou-se, literalmente, no umbigo. Tudo o que o produzo é pra o bebê que cresce-se Francisco ou Alice cá nesta barriguinha já avantajada. As leituras tb andam se voltando pra gestação, parto, os processos todos que envolvem fazer-se mãe, enfim... Tudo isso é uma forma de dizer que os textos daqui talvez revelem um caminho diferente do que os seus irmãos mais velhos, que o olhar, talvez, por hora, veja outros aspectos que não costumo observar com tanta atenção...

Pra abrir os trabalhos, achei bacana compartilhar um trecho do roteiro d'O sentido da vida, do Monty Python, que sintetiza com humor o porquê de minha declarada escolha em esperar e me preparar pra um parto normal e domiciliar.

****

O Milagre da Vida

Monty Python


Cena: O Milagre da Vida.

Corredor de Hospital. Uma parturiente é levada apressadamente pelo corredor, deitada sobre uma maca que tromba violentamente contra várias portas de vai-e-vem. Parturiente e enfermeira passam para uma sala de consulta, onde dois médicos tentam acertar latas de cerveja vazias em um cesto de lixo.

Médico 1: CENTO E OITO!!

Enfermeira: As contrações da Sra. Moore estão mais frequentes, doutor.

Médico 1: Ótimo, ótimo. Leve-a para a sala do terror-fetal

Enfermeira: Certo.

Os três passam para sala de parto.

Médico 1: Está meio vazio isso aqui, não?

Médico 2: Siiiiiiiiim!!!!

Médico 1: Enfermeira, mais aparelhos, por favor!

Enfermeira: Sim, doutor.

Médico 1: Sim... O EEG, o Monitor BP, e o AVV, por favor.

Médico 2: E traga o aparelho que faz "Ping"!

Médico 1: E traga os aparelhos mais caros, para o caso do Diretor aparecer.

A sala de parto é inundada de aparelhos. A parturiente desaparece por trás de todo o equipamento.

Médico 1: Agora está melhor, bem melhor...

Médico 2: SIM!!! Agora sim!!

Médico 1: Mas ainda tem alguma coisa faltando... (Eles se concentram por um momento)

Médico 1 e 2 (em uníssono): Paciente?

Médico 2: Onde está a paciente?

Médico 1: Alguém viu a paciente ?!?

Medico 2: Paciente!

Enfermeira: Aqui! Achei!!

Médico 1: Traga-a aqui.

Médico 2: Cuidado com a máquna!

Médico 1: Chegue mais perto!

Médico 2: Pula pra cá... Upa!

Médico 1: Oi! Não se preocupe que está tudo bem.

Médico 2: Nós vamos curá-la.

Médico 1: Deixe tudo conosco, você não vai nem saber o que foi que aconteceu.

Médico 2: Tchauzinho... Tchauzinho.... Abram o soro!! Injeções!!!!

Médico 2: Posso por o tubo na cabeça do bebê?

Médico 1: Só se eu puder fazer a episiotomia.

Médico 2: OK.

Médico 1: Agora, pernas pra cima.

As pernas da paciente são colocadas nos estribos, enquanto os médicos abrem as portas em frente.

Médicos 1 e 2: Vão entrando, vão entrando... Alegria, alegria!! Entrem, entrem, espalhem-se por aí.

Entra uma pequena horda, a maioria médicos, mas entre eles dois japoneses com máquinas fotográficas e filmadora. O médico 1 esbarra em um homem.

Médico 1: Quem é você?

Homem: Eu sou o marido.

Médico 1: Sinto muito, mas apenas as pessoas envolvidas podem ficar aqui.

O Marido sai.

Sra. Moore: O que eu devo fazer?

Médico 2: Pois não?

Sra. Moore: O que eu devo fazer?

Médico 2: Nada meu bem, você não é qualificada.

Médico 1: Deixe conosco.

Sra. Moore: Para que é isso???

Ela aponta para uma máquina.

Médico 1: Essa é a máquina que faz "Ping".

A máquina começa a fazer "Ping".

Médico 1: Você viu? Isso significa que seu bebê ainda está vivo.

O Médico 2 aponta para outra máquina.

Médico 2: E essa é a máquina mais cara de todo o hospital.

Médico 1: Sim, e custou mais de 750.000 libras!

Médico 2: Que sorte a sua, hein??

Enfermeira: O Diretor está aqui, doutor.

Médico 1: Então rápido! Liguem toda a aparelhagem!!

Eles ligam. Tudo começa a piscar e bipar. Entra o Diretor.

Diretor: Bom dia, senhores.

Médicos 1 e 2: Bom dia, Sr. Pycroft.

Diretor: Hummm, muito bem!! (Parecendo impressionado) E o que é que vocês estão fazendo agora?

Médico 1: É um parto.

Diretor: Ah! E que tipo de coisa é isso?

Médico 2: Bom, é quando tiramos um bebê da barriga de uma mulher.

Diretor: É impressionante o que podemos fazer hoje em dia. Ah! Vejo que vocês estão com a máquina que faz Ping. Essa é a minha favorita. Olha so, nós alugamos essa máquina de volta da companhia para a qual havíamos vendido! Dessa forma ela entra como gasto do mês corrente, em vez de entrar na despesa geral. (Todos aplaudem). Obrigado.. Obrigado.. Nós tentamos fazer o melhor possível. Bem, por favor continuem.

Ele sai da sala.

Enfermeira: Oh! A vulva está dilatando, doutor.

Médico 1: Sim, aí está a cabeça. Sim, 4 centímetros, 5, seis centímetros.

Médico 1 e 2: Luzes! Amplifique a maquina de ping! Colocar as máscaras! Sucção! Lá vem ele!!!

O bebê chega.

Médico 1: E amedrontem-no!

Eles agarram o bebê, seguram-no de ponta cabeça, dão um tapa, põem tubos no nariz, esfregam-no com água fria. Daí o bebê é colocado sobre uma tábua de carne e o cordão é cortado com um cutelo.

Médico 1: As toalhas ásperas!

O bebê é seco com as toalhas ásperas.

Médico 1: Mostrem-no para a mãe.

Ele é mostrado à mãe.

Médico 1 e 2: Já está bom. Certo. Vamos sedá-la, numerem a criança. Meçam, façam a tipagem sanguínea e... isolem-no!

Enfermeira: Ok, o show acabou.

Sra. Moore: É menino ou menina?

Médico 1: Eu acho que é um pouquinho cedo para começar a impor papéis à pobre criança, não acha? Agora um conselhozinho. Você pode começar a perceber que está se sentindo irracionalmente deprimida. DPP como nós médicos chamamos. Então vou te dar um monte de pílulas felizes para você, e você pode descobrir tudo sobre o parto quando você chegar em casa. Está disponível em Betamax, VHS e Super 8.

Os médicos, a pequena horda, as enfermeiras, todos desaparecem, deixando a mãe com olhar perplexo, sozinha com a máquina que continua... Ping, Ping, Ping..


Copyright © 1983, The Monty Python Partnership.

terça-feira, novembro 18, 2008

Bossa

Não tenho mais tempo pras palavras
Larguei da poesia
Não quero mais essa mesma canção
Adeus, meu bem
Vou ser morena do samba de alguém

sexta-feira, novembro 14, 2008

Madrigal

ele pinta palavras em meu corpo
renascentista
a madrugada é nua e farta
baixa contínua em nós
descendente é o inferno
cadência perfeita
onde descobri a pureza

terça-feira, novembro 04, 2008

Pequena morte

COMA
(me)

domingo, novembro 02, 2008

Desdenho o amor
como quem enxerga o pó sobre os livros da estante
como quem saliva diante da mesa em banquete

Passa por mim
Nem sinto sede

O amor é brisa nas minhas cortinas fechadas
Busca imprevista fresta
Chove a vidraça

Sem susto

Torno a dormir
Faz escuro e estou cansada

quinta-feira, outubro 30, 2008

pra que asas se posso cantar
meus abismos nas linhas das tuas mãos
engulo o ar para não respirar-te
e trago a noite
como quem rege uma oração

terça-feira, setembro 23, 2008

o dia adormece em cinza e púrpura
todas as palavras esquecidas sussurradas no vento
meus olhos como nas histórias de infância
chove no último andar e eu nem tenho medo da queda
como você
como quem não pensa
como quem se alimenta porque precisa viver

terça-feira, setembro 02, 2008

a mão abana delicadamente um lenço
bandeira tremulante em adeus
sádico prazer
hábito

sequer Ela chora
sequer Ele vê

ficar não é escolha
é esquecimento



.

terça-feira, agosto 26, 2008

Meu queixo descansa em teu ombro adormecido
e meus olhos perdem-se na curva
traço entre uma pinta e a outra no mapa das tuas costas

Canta uma voz conhecida os músculos exaustos do teu corpo
(em que me atiro feito sabiá em manhã de segunda-feira)
feito rio em correnteza

segunda-feira, agosto 25, 2008

Fragmentos do discurso amoroso

Tudo pode ser simples quando bem dito, quando bem desejado, quando bem divertido. O discurso amoroso, considerando-o aqui como aquele que se dispõe ao encantamento, permite, tal como Barthes o fez, expressar (sem máscaras) aquilo que é normalmente secreto. Carpe diem, babe. Você está certo:

"As coisas bem ditas:
benditas coisas"

quinta-feira, agosto 21, 2008

Esse mar que Dori cantou:
as ondas do teu cabelo menino
o azul imenso do teu olho pescador
imprevisto e transparente
tal brincadeira de amor