quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Oscuridad

Nem é maio, mas é tudo muito rápido e eu flutuo - um obelisco (monumento, falo) em névoa azul penetrando a treva. Nos esgotos correm os trens e os subterrâneos desejos, oscuridades sob os passos dos que sempre andam (e nem sempre vêem). Subtem-se, sublimados pelo ar de prata. Abelhas riscam o asfalto largo cercadas de concreto e história. As palavras gritam nas paredes das casas e das calçadas. Nem é maio, mas elas estão sempre esperando filhos, embaraçadas. Uma casa cor-de-rosa ergue-se majestosa fazendo sombra sobre os títeres. Nem é maio, mas venta. Buenos Aires é uma cidade pra se morrer lentamente, asfixiando-se em silêncios, cafés e tangos de Gardel.

2 comentários:

Karam Valdo disse...

Acredito que você sabe penetrar na obscuridade como ninguém. A sombra fica deliciosa em suas letras. Fica um inconsciente delicado e sensual. Uma pitada de tristeza, eis o charme.
beijo e saudades.

Tiago Collovini disse...

Nem é maio, mas foi uma viagem sem volta. Beijo.