Um redemoinho de palavras enlaçou os livros esquecidos
Não declararam amor
tampouco pediram perdão pela falta de gestos
Eram chuva forte sobre os papéis antigos
sobre os rostos
sobre as mãos tatuadas no último abraço
sobre nós desfazendo o presente
Perdia-se o tempo nas dívidas
(mágoas divisando o antes e o que restou)
perdia-se na bijouteria colorida e falsa
Mas os olhos teimosos guardaram o perfume da flor
enquanto nascia de novo a Poesia
*
terça-feira, fevereiro 21, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
sexta-feira, janeiro 13, 2012
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Você estava tão perto
eu era capaz de adivinhar-lhe o peito
o cheiro de café e pó nas dobras da camisa
o redemoninho moreno, suas ideias
Você estava tão perto
que bastaria um gesto pra desfazer a ruína e o nó
um vento urbano suspirando na nuca
as palavras que me nego a repetir
Onde você esteve esse antes todo?
Se não era somente dentro de mim?
eu era capaz de adivinhar-lhe o peito
o cheiro de café e pó nas dobras da camisa
o redemoninho moreno, suas ideias
Você estava tão perto
que bastaria um gesto pra desfazer a ruína e o nó
um vento urbano suspirando na nuca
as palavras que me nego a repetir
Onde você esteve esse antes todo?
Se não era somente dentro de mim?
terça-feira, janeiro 03, 2012
quinta-feira, dezembro 29, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011
Juventude
O que havia de mim esvaiu-se
areia de ampulheta
levou aquilo que havia de sol
A peça de argila ocre
relembra o sopro
sem temor por tornar-se pó
segunda-feira, novembro 28, 2011
domingo, outubro 16, 2011
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
posse
um pedaço do teu pão e do teu dia
um pouco de sonho
o que te adoece
uma noite de orgia
a página roubada do livro de poesia
asfalto florido
a saliva e depois
ser presa
surpresa
ser teto
ser verso
certeza
mas falta
segunda-feira, janeiro 31, 2011
quarta-feira, novembro 03, 2010
quarta-feira, outubro 13, 2010
Morrer um pouco
Era como se tivesse rasgado o peito frágil em que escrevera seu único poema. E tocado o fósforo ali depois de riscá-lo mecanicamente na caixinha que guarda o café portenho.
As lembranças não são sempre fumaça?
O amor enrodilhou-se anelado diante dos meus olhos mudos e subiu ao céu. Defunto.
As lembranças não são sempre fumaça?
O amor enrodilhou-se anelado diante dos meus olhos mudos e subiu ao céu. Defunto.
terça-feira, outubro 05, 2010
Exercício de dizer
Havia nela ainda um quê de brisa. Não se sabia de onde vinham os cabelos em fúria ou o sempre cheiro de mato na pele. Era toda selvageria guardada na boca bem selada. Diferente de todas da casa, mais se aproximava era de Brusque, a gata arredia, ou das árvores do quintal. Silenciosa, o que deixava escapar às vezes eram ruminações de menina em brinquedos secretos roubados dos livros: dragoínas voejantes, docerejas, grumins.
Passarinhando pela casa, em arrulhos de coquetes, as outras irmãs. Saias de goma, fitas, cabelinhos. Orbitando sobre a mãe ocupada em fazê-las boas. Mulheres um dia. Donas. Agora todinhas filhas, filhotes sobre a asa gorda e regina.
Ina. Menos que substantivo concreto. Pedaço de nome: Catarina, menina, sina. No mesmo livro prendia seus olhos de bicho devorando as figuras já pálidas. Ninguém a via, alheia de tudo na sua roda de inventar o mundo.
Passarinhando pela casa, em arrulhos de coquetes, as outras irmãs. Saias de goma, fitas, cabelinhos. Orbitando sobre a mãe ocupada em fazê-las boas. Mulheres um dia. Donas. Agora todinhas filhas, filhotes sobre a asa gorda e regina.
Ina. Menos que substantivo concreto. Pedaço de nome: Catarina, menina, sina. No mesmo livro prendia seus olhos de bicho devorando as figuras já pálidas. Ninguém a via, alheia de tudo na sua roda de inventar o mundo.
domingo, junho 27, 2010
domingo, junho 20, 2010
domingo, junho 13, 2010
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